O CRM deixa de depender só do diploma
Antes
Quem se formava em Medicina no Brasil pedia o CRM apresentando o diploma.
Agora
Para quem entrou na faculdade a partir de 19/06/2026, o diploma sozinho não basta: é preciso atingir a nota mínima no Enamed.
Em 6 de novembro de 2026, o presidente da República sancionou a lei que cria a “OAB da Medicina”: o Enamed passa a ser exigido para conseguir o registro no CRM e atender como médico. A regra vale para quem entrou na faculdade de Medicina a partir de 19 de junho de 2026. Entenda quem precisa fazer, quando e o que acontece se a nota não for suficiente.
Resposta rápida
Para o diploma, não; para o CRM, sim. Pelo que diz a lei, a nota mínima no Enamed é exigida para conseguir o registro no CRM, e é esse registro que permite atender como médico. Terminar a faculdade, sozinho, deixa de bastar.
A regra vale só para quem entrou em Medicina a partir de 19 de junho de 2026. Quem já estava cursando antes dessa data e quem já é médico formado não precisa fazer o Enamed. Para quem entrou depois, as três provas fazem parte do curso.
Descubra o seu caso
Escolha a sua situação e veja a resposta na hora.
| Sua situação | Precisa do Enamed? | O que vale para você |
|---|---|---|
| Já sou médico formado no Brasil | Não precisa | Você não precisa fazer o Enamed. Quem já tinha diploma de Medicina reconhecido no Brasil fica fora da nova regra e não precisa fazer o Enamed para exercer a profissão. |
| Estou na faculdade de Medicina e entrei antes de 19/06/2026 | Não precisa | Você não precisa do Enamed para o CRM. Quem já estava matriculado antes de 19 de junho de 2026 segue as regras de quando começou o curso. A nova lei não cria uma exigência extra para o seu registro no CRM. |
| Entrei ou vou entrar em Medicina a partir de 19/06/2026 | Precisa fazer | Você vai fazer as três provas do Enamed. As provas fazem parte do seu curso, e a nota mínima será exigida para o seu CRM. Elas acontecem no fim do 2º, do 4º e do 6º ano. |
| Me formei em Medicina fora do Brasil | Regra própria | Para você vale o Revalida. O Revalida continua, com duas etapas. A parte teórica passa a ser a terceira prova do Enamed, e a prova de habilidades clínicas continua. Quem foi aprovado na primeira etapa até 19/06/2026 não precisa fazer o Enamed e pode fazer a prova prática nas duas edições seguintes. Entenda o Revalida |
| Quero fazer residência médica | Depende | Depende do seu caso e da prova. A lei prevê que a nota final do Enamed possa ser usada em seleções de residência de acesso direto, conforme as regras de cada processo seletivo. Para o seu CRM, vale a regra do seu caso: se entrou na faculdade antes de 19/06/2026, nada muda. Veja o que mais cai no Enamed |
Antes e depois
Antes
Quem se formava em Medicina no Brasil pedia o CRM apresentando o diploma.
Agora
Para quem entrou na faculdade a partir de 19/06/2026, o diploma sozinho não basta: é preciso atingir a nota mínima no Enamed.
Antes
Criado em 2025, o Enamed servia para avaliar os cursos de Medicina e para selecionar candidatos à residência.
Agora
Agora ele também mede se o recém-formado tem o nível mínimo para exercer a profissão.
Antes
As faculdades de Medicina eram avaliadas pelo Enade.
Agora
O conceito anual de cada curso passa a considerar a proporção de alunos que atingem o nível mínimo na terceira prova do Enamed, e o Enade deixa de valer para a Medicina.
Como vai funcionar
Em vez de uma prova única no fim da faculdade, o Enamed acontece em três momentos. O Ministério da Educação (MEC) aplica as provas, que fazem parte do curso.
É a primeira nota da sua média final.
Acontece antes do internato, os dois últimos anos do curso, dedicados ao estágio em hospitais e unidades de saúde.
É a prova final, com o maior peso na média. É também a única que pode ser refeita se a nota ficar abaixo do mínimo.
Depois da última prova
A terceira prova decide o seu registro. Veja os dois caminhos possíveis.
Por que esse apelido?
O apelido vem da prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que existe desde 1994 e que quem estudou Direito precisa passar para atuar como advogado.
Com a nova lei, a Medicina ganha um filtro parecido: sem atingir o nível mínimo no Enamed, não há registro no CRM. A diferença é que o Enamed acontece durante o curso e também serve para avaliar as faculdades.
| Critério | Exame da OAB | Enamed |
|---|---|---|
| Quem faz | Quem estudou Direito | Quem entrou em Medicina a partir de 19/06/2026 |
| Para que serve | Conseguir a carteira da Ordem e advogar | Conseguir o registro no CRM e exercer a medicina |
| Quando acontece | No fim da faculdade | Em 3 provas durante o curso (2º, 4º e 6º ano) |
| Quem aplica | Ordem dos Advogados do Brasil | Ministério da Educação |
Para quem vai escolher uma faculdade
A lei também pressiona os cursos: o resultado dos alunos no Enamed passa a pesar na avaliação de cada faculdade.
O conceito de cada curso passa a considerar a proporção de alunos que atingem o nível mínimo na terceira prova.
O MEC publica os resultados de cada faculdade, sem identificar os alunos, em um portal público por pelo menos 10 anos.
As faculdades devem divulgar, em seus sites e nos materiais para candidatos, os resultados das três últimas edições do Enamed. Vale conferir antes de se matricular.
Cursos com resultado ruim podem ser supervisionados e sofrer outras medidas previstas na lei da educação. Só entram na conta as provas feitas depois que a lei passar a valer.
Como chegamos até aqui
O exame é criado para avaliar os cursos de Medicina e selecionar candidatos à residência.
O governo publica a medida provisória que institui o Enamed como exigência para o registro no CRM. É a data de corte da nova regra.
Acontece a edição mais recente do exame. Veja o Raio-X do Enamed 2026
O texto aprovado aumenta de 2 para 3 provas e cria a Comissão Nacional de Avaliação da Formação Médica.
A regra deixa de ser provisória e passa a ser lei.
As primeiras turmas atingidas fazem a 1ª prova, no fim do 4º semestre.
Os primeiros formandos sob a nova regra pedem o registro no CRM.
As datas marcadas como estimativa são cálculos do Resify para um curso de 6 anos; as datas oficiais serão definidas pelo MEC.
O debate
O presidente da República disse que a medicina “ficou um pouco mercantilizada” e que a exigência ajuda a garantir um atendimento mais humano, sobretudo no SUS. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou que o exame também vai orientar decisões sobre abertura, vagas e fechamento de cursos. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, rejeita o apelido “OAB da Medicina”.
A Associação Médica Brasileira (AMB) classificou o exame como um avanço para a qualidade da formação médica e para a segurança dos pacientes. O Conselho Federal de Medicina (CFM) queria participar mais da condução do exame.
O senador Marcos Pontes (PL-SP) votou contra e criticou o uso de medida provisória para tratar do assunto. Ele defende que o CFM, e não o MEC, conduza a prova, e é autor de um projeto de lei sobre o tema, o PL 2.294/2024.
Como se preparar
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Veja quais assuntos mais aparecem no Enamed e decida o que revisar primeiro.
Veja a análise da edição mais recente: dificuldade, áreas e temas da prova.
Perguntas frequentes
Para receber o diploma, não: pelo que diz a lei, a nota mínima do Enamed é exigida para o registro no CRM. Mas, para quem entrou na faculdade a partir de 19 de junho de 2026, as três provas fazem parte do curso e é preciso fazê-las. Sem atingir a nota mínima, a pessoa termina o curso, mas não consegue o CRM para atender como médica.
É o apelido do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) depois da lei sancionada em 6 de novembro de 2026. Assim como a prova da OAB para advogados, o exame passa a funcionar como um filtro: quem não atingir a nota mínima não consegue o registro no CRM.
A lei foi sancionada em 6 de novembro de 2026 e vale para quem entrou em Medicina a partir de 19 de junho de 2026. Na prática, o efeito sobre o CRM só aparece quando essas turmas terminarem o curso, por volta de 2032, numa estimativa para um curso de seis anos.
Quem entrou em um curso de Medicina no Brasil a partir de 19 de junho de 2026, data de publicação da medida provisória que deu origem à lei. Quem já estava matriculado antes dessa data e quem já tem diploma de Medicina reconhecido no Brasil não precisa fazer.
Não. A exigência não vale para médicos que já têm diploma de Medicina reconhecido no Brasil.
Não para o seu registro no CRM. Quem entrou antes de 19 de junho de 2026 segue as regras de quando começou o curso.
São três: no fim do 4º semestre (2º ano), no fim do 8º semestre (4º ano, antes do internato) e no 12º semestre (6º ano). O MEC aplica as provas, e a nota final é a média das três, com peso maior para a última.
Ainda não foi definida. A Comissão Nacional de Avaliação da Formação Médica, com representantes do MEC, do Ministério da Saúde e do CFM, vai definir a nota mínima, os pesos de cada prova e o cálculo da média. Esses critérios devem ser divulgados antes das provas.
Você pode refazer a terceira prova em edições seguintes do Enamed. Enquanto não atingir o nível mínimo, não consegue o registro no CRM e não pode atender pacientes, prescrever nem assinar atestados e laudos.
É uma inscrição para quem terminou o curso, mas ainda não atingiu o nível mínimo no Enamed. Ela permite trabalhar apenas com atividades técnico-científicas, como pesquisa, ensino e apoio técnico, sem atender pacientes. As regras serão definidas pelo CFM.
O Ministério da Educação (MEC). A Comissão Nacional de Avaliação da Formação Médica, com representantes do MEC, do Ministério da Saúde e do CFM, define as regras de nota.
Não. A lei não acaba com as provas de residência. Ela só prevê que a nota final de quem atingir o nível mínimo possa ser usada em seleções de residência de acesso direto, conforme as regras de cada processo seletivo.
Sim. Os cursos de Medicina avaliados pelo Enamed deixam de fazer o Enade.
O Revalida continua com duas etapas. A etapa teórica passa a ser a terceira prova do Enamed, e a de habilidades clínicas continua. Quem foi aprovado na primeira etapa até 19 de junho de 2026 não precisa fazer o Enamed e pode fazer a prova prática nas duas edições seguintes.
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Este guia foi escrito com base no texto aprovado pelo Congresso e na cobertura da imprensa. O que ainda depende de definição, como a nota mínima e os pesos das provas, será atualizado quando for divulgado.
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